Vírus: Uma das causas da obesidade

         Uma nova teoria científica defende que não são os genes, as barras de chocolate e a vida sedentária os únicos culpados pelo aumento de peso. Um vírus batizado de Ad-36 vem sendo apontado por pesquisadores nos Estados Unidos como uma das causas da obesidade. Há doze anos, quando o cientista indiano Nikhil Dhurandhar, da Wayne State University, em Detroit, começou a analisar o vírus, essa hipótese parecia uma enorme bobagem. Ela voltou a habitar o terreno do possível com a descoberta de que doenças antes atribuídas exclusivamente a disfunções metabólicas, como gastrite e úlcera, podem ser detonadas por agentes patogênicos.                                                                                          Financiado pelo Instituto Nacional de Saúde, ligado ao governo dos Estados Unidos, e em companhia do médico Richard Atkinson, presidente da Associação Americana de Obesidade, realizou dois estudos importantes. No primeiro, ele recolheu amostras de sangue de 313 obesos e de 92 pessoas sem problemas com a balança. Um de cada três indivíduos que estavam acima do peso apresentava anticorpos para o Ad-36 (o vírus ainda não foi isolado em seres humanos). Entre os magros, apenas um em cada 23 pacientes tinha esses mesmos anticorpos. No segundo estudo, conduzido com noventa pares de gêmeos idênticos, ele constatou que aqueles com resultado positivo para o anticorpo do Ad-36 tinham mais propensão a engordar. Para explicar por que os infectados tendem a acumular mais gorduras, há duas teorias. A mais forte é de que o vírus estimula a produção de células adiposas no organismo. A outra é de que ele provocaria uma inflamação no hipotálamo, região do cérebro que controla a fome e a sensação de saciedade. Isso estimularia a pessoa a comer mais. O próximo passo da investigação a respeito do vírus da obesidade será um estudo abrangendo 8000 pares de gêmeos idênticos. Se  a tese do cientista indiano se confirmar, será aberta uma nova frente para o tratamento da obesidade, com o desenvolvimento de uma vacina e de medicamentos antivirais. Até que isso ocorra, no entanto, é melhor não deixar de lado as malditas saladinhas.

A luta contra a obesidade


            Outubro é o mês da luta contra a obesidade. O dia 11 de outubro foi instituído como o Dia Internacional da Obesidade.                                                    

Em 1997, a Organização Mundial de Saúde (OMS) já classificava o aumento do sobrepeso e da obesidade como epidemia. Em muitos países, mais da metade da população apresenta algum grau de excesso de peso. A epidemia é global, atingindo não somente países desenvolvidos, mas também os que estão em desenvolvimento.                       Nos Estados Unidos, onde a situação é mais grave, 61% da população com idade superior a 25 anos apresentam excesso de peso. No Brasil, dados da Pesquisa Nacional de Saúde e Nutrição (PNSN) de 1989 mostravam que 32% dos brasileiros acima de 18 anos estavam com excesso de peso.

“A obesidade é uma doença que envolve diversos fatores, como a genética. Mas, a mudança de estilo de vida que ocorreu nas últimas décadas é o maior deles”.

            Ações e esforços para se combater o sobrepeso e a obesidade estão sendo realizados. Doenças antes somente diagnosticadas em adultos, como a diabetes tipo 2, já são encontradas em crianças. Em algumas escolas, os lanches oferecidos estão sendo questionados. Guloseimas altamente calóricas estão sendo retiradas das cantinas.                   A American Obesity Association (AOA) relata o impacto da sociedade moderna no aumento da inatividade física que, aliada ao aumento da oferta de alimentos altamente calóricos, faz crescer os números do excesso de peso. Entre as características observadas pela AOA estão:    

- Transporte: aumento da utilização de carro para percorrer pequenas distâncias, diminuindo a caminhada;  

- Em casa: utilização de máquinas de lavar, consumo de alimentos pré-prontos de alta quantidade calórica e passar muito tempo assistindo televisão, utilizando o computador ou vídeo game. Isso acarreta em diminuição de trabalhos manuais, elevando o consumo de alimentos calóricos e o tempo livre é utilizado com atividades sedentárias;         

- No trabalho: aumento de atividades que estimulam o sedentarismo, através do aumento da informatização. Diminuição de trabalhos que demandam atividade física;  

- Lugares públicos: utilização de elevadores, escadas e portas automáticas, diminuindo a atividade física cotidiana.      

            Dados são impessoais. A atitude correta de cada pessoa, buscando melhor qualidade de vida, onde a boa alimentação e o aumento da atividade física estão incluídos, faz com que haja a redução da linha de crescimento do excesso de peso entre a população.  
            Isso significa aumento da produtividade, diminuição de gastos com a saúde para tratar doenças associadas à obesidade, melhor qualidade de vida.   
            O que fazer então? Mudar. Cada escolha alimentar é um passo dado para uma alimentação saudável. A simples decisão de sair para caminhar ao invés de ficar na frente da televisão é outro passo para aumentar a atividade física.
            Simples escolhas como, ingerir diariamente frutas, verduras e legumes, evitando frituras ou sanduíches; aumentar a ingestão de água e evitar ingerir doces todos os dias irão contribuir para a diminuição de peso ou evitarão o ganho excessivo dele.        
            Assim, todos estarão contribuindo para que estatísticas que assombram estudiosos e governos possam ser reduzidas. E sua saúde vai agradecer!

 

 

Estados Unidos será o

País dos obesos em 2010

 

Os Estados Unidos se tornará, a partir de 2010, um país onde mais da metade da população adulta será obesa e viverão menos que seus pais, segundo projeções sobre este mal que já é considerada uma epidemia. Ao ritmo atual, 68 milhões de americanos serão obesos em sete anos, ou seja, 40% da população, e a marca dos 50% poderá ser superada em uma década, de acordo com as estatísticas apresentadas esta semana pelo Centro de Controle de Doenças (CCE), ligado ao governo federal.

            Segundo outro estudo, divulgado na quarta-feira, a reboque do excesso de peso vem o diabetes, com a previsão de pelo menos um em cada três americanos nascidos em 2000 afetados pela doença na idade adulta (33% dos homens e 38% das mulheres).

            O doutor K.M. Venkat Narayan, do CCE, destacou que "o número de pessoas diabéticas nos Estados Unidos aumentará 165% entre 2000 e 2050", após uma alta de 40% entre 1990 e 1999. Como conseqüência desta tendência, disseram especialistas, a nova geração de americanos viverá, pela primeira vez na história moderna, menos que seus pais.

            A diabete reduz fortemente a expectativa de vida. "Por exemplo, estimamos que uma pessoa diagnosticada com 40 anos, perderá 11,6 anos de vida se for homem (...) e 14,3 anos se for mulher", disse Narayan.

            "A comida e a atividade física que damos a nossos filhos são uma receita para a obesidade", disse a professora Kelly Brownell, diretora do centro de estudos sobre a alimentação da Universidade de Yale.

            Atualmente, 31% dos americanos são obesos, com um peso que supera em pelo menos 15 quilos a massa corporal considerada ideal. Mas é preciso buscar nos extremos o aspecto mais dramático da epidemia, diante do aumento considerável da obesidade mórbida.

Segundo os últimos números disponíveis, que datam de 2000, a obesidade mórbida (homem adulto, cujo excesso de peso é de pelo menos 40 quilos) aumentou duas vezes mais rápido que a proporção de americanos simplesmente obesos, passando de um em 200, em 1986, para um em 50, em 2000.

            Mais rápido ainda é o aumento da obesidade extrema ou super-obesidade, que se refere às pessoas cujo excesso de peso se aproxima ou supera os 70 quilos. O grupo de americanos afetado pela super-obesidade passou de um em 2000, em 1986, para um em 400 no ano 2000. Neste grupo, um homem médio com 1,77 metros pesa 169 kg.

"Estes resultados têm enormes conseqüências para o sistema de saúde do país, devido ao custo dos tratamentos contra a diabete, a hipertensão e outros problemas crônicos, várias vezes superior entre as pessoas afetadas pela obesidade grave em relação às pessoas cuja obesidade é moderada", explicou Roland Sturm, economista do centro de estudos Rand, que dirigiu um estudo sobre a obesidade grave.

            Um terço das pessoas que sofrem de super-obesidade já sofria de excesso de peso na infância, segundo um estudo das universidades de Purdue e do Arizona, demonstrando a urgência da educação dos mais jovens.

            A obesidade é a causa de 300 mil mortes por ano nos Estados Unidos e o custo anual do tratamento vinculado a problemas de peso chega a US$ 117 bilhões. O excesso de peso está no centro das preocupações dos americanos. Três livros de dietas estão entre os cinco primeiros títulos de auto-ajuda na lista de best-sellers do jornal New York Times.

 

 

Nova droga bloqueia alimentação de

Células gordurosas

 

Cientistas da Universidade do Texas, nos Estados Unidos, estão desenvolvendo uma nova droga para a obesidade que bloqueia a irrigação sangüínea das células de gordura, impedindo que elas recebam nutrientes e oxigênio.                                                                                                                                                                                                                                Ratos de laboratório alimentados com produtos altamente calóricos perderam 30% de seu peso em quatro semanas com o tratamento, originalmente criado para testar o combate ao câncer.                                                                                                                                                                                                                                                                                             Os pesquisadores encontraram uma proteína, chamada de proibitina, que identifica as células de gordura e ajuda a construir uma rede de vasos capilares para alimentá-la. Os cientistas, então, tornaram a proteína letal ao ligá-la a outra que é capaz de fazer com que as células dos vasos capilares "se suicidem".

Menos fome

Essa combinação modificada se provou altamente eficiente em destruir o tecido gorduroso ao privá-lo de alimentação. Injetadas nos ratos, as duas proteínas fizeram os animais comerem menos e terem sua taxa de metabolismo aumentada.             Os ratos também pareceram tolerar bem o tratamento, mostrando poucos sinais de efeitos colaterais.         Em artigo publicado na revista Nature Medicine, os cientistas, no entanto, afirmam que o estudo ainda está em fase inicial e que há um grande risco de efeitos colaterais.            Sabe-se, por exemplo, que a perda de células adiposas pode acarretar problemas como a acumulação de gordura em tecidos não gordurosos. Os pesquisadores também alertam para o fato de que os resultados apresentados em ratos podem não ser os mesmos em humanos.

Babuínos

O próximo passo será testar o tratamento em babuínos, cuja metabolização da gordura é semelhante à do homem. "Se mesmo uma fração do que descobrimos nos ratos se relacionar à biologia humana, estamos cuidadosamente otimistas de que teremos uma maneira de reverter à obesidade", afirmou Renata Pasqualini, da equipe de pesquisadores.                                                                                                                     O tratamento é semelhante ao realizado com uma nova classe de drogas anti-câncer, que "matam" os tumores ao cortar a irrigação sangüínea das células cancerígenas.