Obesidade Infantil
A obesidade é uma das patologias nutricionais que mais tem apresentado
aumento em seus números, não apenas nos países ricos, mas também nos países
industrializados (Cabrera, 1994.)
Nos
últimos anos, o interesse sobre os efeitos do ganho de peso excessivo na
infância tem aumentado, devido ao fato de que o desenvolvimento da secularidade
adiposa neste período será determinante nos padrões de composição corporal de
um indivíduo adulto (Dâmaso, 1994.)
Os
períodos críticos de surgimento da obesidade progressiva são os 12 primeiros
meses de vida, a fase pré-escolar e a puberdade. A obesidade progressiva se
associa à obesidade hiperplásica, o que dificulta o
controle de peso corporal na idade adulta (Guedes, 1998.)
Na
infância, alguns fatores são determinantes para o estabelecimento da obesidade:
desmame precoce e introdução de alimentos inadequados, emprego de fórmulas
lácteas inadequadamente preparadas, distúrbios do comportamento alimentar e
relação familiar conturbada (Fisberg, 1995).
Os
principais riscos para a criança obesa são: a elevação dos
triglicérides e do colesterol, alterações ortopédicas, pressóricas, dermatológicas e respiratórias, sendo que, na
maioria das vezes, essas alterações são mais evidentes na vida adulta (Fonseca,
1998.)
Para
o tratamento do obeso infantil, existem algumas normas gerais a serem seguidas:
uma dieta balanceada que determine crescimento adequado e manutenção de peso;
exercícios físicos controlados e apoio emocional individual e familiar. Além
disso, a Educação Nutricional é essencial, pois visa à modificação e melhorias
dos hábitos alimentares a longo prazo, e torna-se um elemento de
conscientização e reformulação das distorções do comportamento alimentar,
auxiliando a refletir sobre a saúde e qualidade de vida (Mantoanell,
1997.)
A
imposição de regimes rígidos ou pré-estabelecidos de forma generalizada, são
contra indicados pela própria ineficiência comprovada, devido à dificuldade de
aderência, ou por representar um fator gerador de maior angústia nesses
pacientes, que tem a alimentação como forma de compensação emocional. (Vítolo, 1993.)
Para
o tratamento da obesidade infantil, faz-se necessário à presença de uma equipe multiprofissional, que consiste de médico, nutricionista,
educador físico, e um outro profissional de extrema importância – o psicólogo,
pois sabe-se que algumas causas da obesidade podem ser
psicogenéticas, tais como: rejeição materna e falta de afeto, depressão e culpa
angústias circunstanciais, mães simbiônticas e pais superprotetores,
pais alcoólatras, criança imatura e problemas orgânicos, como os neurológicos
(Andrade, 1995.)
Para
melhores resultados nos tratamentos é importante à cooperação dos pais, que
devem estar conscientes de que a obesidade é um risco e que gera problemas na
vida adulta.
A
escola também tem papel fundamental ao modelar as atitudes e comportamentos das
crianças sobre Nutrição. Uma forma de realizar este trabalho é integrar a
nutrição à sala de aula, incorporando conceitos de Nutrição às crianças (Schartzman & Teixeira, 1998.)
Em
função deste panorama, o objetivo do presente estudo é detectar a prevalência
de obesidade em escolares de
Materiais
e métodos utilizados no estudo:
O
estudo foi realizado com escolares de
Para
a avaliação do estado nutricional, foram coletadas medidas de peso e estatura.
Para cada criança, foi entregue um questionário contendo dados sobre o perfil
alimentar e sócio-econômico, que foram respondidos
pelos pais. Os resultados foram tabulados manualmente, cruzando-se os dados das
escolas públicas e particulares.
Resultados:
Constatou-se
que a maior prevalência de obesidade nas escolas públicas é no sexo feminino
(13,9%), e nas escolas particulares é no sexo masculino (20,5%). Com relação à
obesidade total, verificou-se que a prevalência foi maior nas crianças de
escolas particulares (16%) do que nas de escolas públicas (12,8%). Com relação
aos hábitos alimentares, observou-se que estes se mostraram inadequados em
ambas as escolas, pois há um baixo consumo diário de alimentos básicos (arroz,
feijão, carnes, hortaliças, frutas) e um alto consumo de alimentos hipercalóricos e inadequados à
essa faixa etária (salgadinhos, refrigerantes, chocolates, etc.). Verificou-se
também que o fator sócio-econômico influencia diretamente na obtenção de
determinados alimentos.
Conclusão:
A
obesidade infantil vem aumentando de maneira equívoca nos últimos anos. As duas
razões consideradas mais importantes são: o maior consumo de alimentos ricos em
carboidratos e gorduras, e o sedentarismo. A prevalência de obesidade
encontrada nas escolas apresentou-se elevada, podendo ser considerada um
Problema de Saúde Pública, uma vez que representa um valor 7
vezes maior do que a considerada normal para uma população sadia, que é de
2,3%. Estes fatos podem ser justificados pelos hábitos alimentares inadequados,
perfil sócio-econômico diferenciado, tipos de refeições realizadas nas escolas
e influência da mídia.
