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O Licenciado em Artes Visuais deverá ser capaz de articular permanentemente a Arte com a Educação, através da pesquisa, da produção, do ensino e no desenvolvimento de projetos que relacionem o processo educativo com o processo artístico, com atenção na área educacional e na área artística.
O professor de arte trabalha simultaneamente nas duas grandes modalidades do conhecimento humano: o conhecimento inteligível e o saber sensível. Entendendo-se o inteligível, como conhecimento abstrato construído por meio de signos lógicos conceituais – ferramentas básicas da ciência e da filosofia – e o sensível, como o saber oriundo de nossa corporeidade, que, dando-se através dos processos perceptivos e expressivos, encontra nos signos estéticos da arte sua melhor representação simbólica.

Evidentemente, a ação básica desse professor concentra-se no saber sensível dos educandos, na medida em que sua atividade visa desenvolvimento da capacidade de sentir e perceber o mundo e de expressar tal percepção valendo-se de construções estéticas que articulam elementos dessa sabedoria primordial do humano, sua relação sensível com a realidade. Contudo, cabe ainda ao professor de arte estimular a reflexão não apenas sobre a produção de seus alunos, como ainda dar a conhecer a produção artística de sua cultura e da humanidade, empregando, para tanto, conhecimentos desenvolvidos pela história da arte, pela filosofia, pela antropologia e sociologia, dentre outras áreas de estudo.

E como o professor de arte pode atuar lecionando para alunos de faixas etárias que variam desde a mais tenra infância até a chamada terceira idade, é necessário que em seu cabedal de conhecimentos esteja presente não só a psicologia do desenvolvimento humano, mas também que esta se articule a um conhecimento específico a partir da pesquisa artística, considerando-se os materiais e os meios expressivos a serem vivenciados de acordo com as capacidades de seu público-alvo.
Adequar conhecimentos teóricos e técnicas de criação e expressão às especificidades de cada faixa etária significa, pois, permitir e estimular o desenvolvimento equilibrado do estudante em termos perceptivos, psicomotores e emocionais. Não basta, assim, ao arte-educador, tão-só, o conhecimento dos materiais e das técnicas de criação de sua especialidade (artes plásticas, dança, música, teatro etc.), sendo preciso estar ele aliado à reflexão sobre o fazer artístico e à compreensão do desenvolvimento integral do ser humano, entendido ainda como pertencente a uma dada cultura e a um estrato sócio-econômico determinado.
Desta forma, é necessário que se entenda o professor de arte não somente como um facilitador da aprendizagem de técnicas cujo bom desempenho permite a alguém tornar-se um artista. Antes, seu papel mais abrangente consiste em acurar a percepção e os processos sensíveis de seus alunos, criando um lastro de sensibilidade e expressividade, que certamente os tornam mais aptos e capazes de desenvolver seu conhecimento do mundo – inclusive em termos lógico-conceituais – e suas relações pessoais e profissionais presentes e/ou futuras. A formação desse profissional deve acontecer, portanto, no âmbito da universidade, num ambiente de constante estímulo não só à criação, mas também à pesquisa em artes em suas diversas modalidades.