A EVOLUÇÃO DA CONTABILIDADE E AS TENDÊNCIAS PARA O FUTURO

A necessidade de se desenvolver técnicas de Controle Patrimonial surgiu nos primórdios da civilização quando o homem começa a armazenar produtos colhidos ou produzidos, mesmo que de forma rudimentar, para fazer frente as adversidades climáticas e garantir a sua sobrevivência. Gradativamente, nosso ancestral passa a dedicar-se também a criação de animais, do acúmulo do excedente das colheitas e dos animais criados. Surgem, então, os bens ou o Patrimônio e, consequentemente, necessidade de controle.

De forma intuitiva, nosso ancestral primata começa a desenvolver métodos de controle patrimonial, limitando-se a desenhos em peças de barro ou pinturas em paredes das cavernas. Alguns relatos de historiadores dão conta de que os primeiros registros contábeis efetuados teriam sido desenvolvidos antes mesmo do surgimento da escrita. Fato concreto é que o homem evoluiu, tanto em suas técnicas de produção, como de comercialização e a necessidade de controlar este patrimônio também evoluiu, inspirando, talvez, o desenvolvimento da escrita.

A evolução da sociedade é constante e, em muitos momentos de sua história, a contabilidade esteve presente, diante do desafio de construção de grandes obras como as pirâmides do Egito ou a construção do Império Romano ou, ainda, durante o período das grandes navegações ou da revolução industrial. A contabilidade apropriava-se dos recursos disponíveis e técnicas conhecidas em cada momento histórico, cumprindo o seu papel de controle e auxiliando ou fomentando a tomada de decisões importantes.

O profissional contábil evoluiu junto com a sociedade e sempre atuou como agente ativo no aprimoramento das técnicas contábeis, aderiu plenamente ao método de partidas dobradas, desenvolvido pelo Frei Luca Pacioli em 1494, desenvolveu a contabilidade manuscrita, utilizou-se da contabilidade mecânica ou mecanizada. Assim, percebe-se que estar em plena sintonia com a contabilidade informatizada e a ação humana é indispensável.

A revista Exame de dezembro de 2017 relata que a profissão do contador será totalmente automatizada até 2030 em função de que todas as transações serão públicas e impossíveis de serem fraudadas. A inquietude está em dimensionar a amplitude de atuação da máquina, naquilo que se refere às rotinas contábeis. Não há como negar que elaboração de lançamentos, geração de relatórios, estatísticas e tendências hão de ser desenvolvidos com muita propriedade e maior eficiência pelas máquinas. Porém, cabe ao contador, o papel de gestor, intérprete, validador, analista e mentor da informação.

Incontestável é o fato de que a contabilidade surgiu da necessidade de controle do patrimônio e no decorrer dos tempos, adaptou-se a todas as tendências, apropriou-se de toda inovação e também fomentou o desenvolvimento de tecnologias específicas. Neste momento histórico, não há de ser diferente, “o objeto da contabilidade é o Patrimônio das entidades econômico-administrativas” (RIBEIRO, 2013, p.3), e continuará existindo. O inevitável é que algumas rotinas atribuídas ao contador serão extintas. Mas, sob outra perspectiva, atendimento a normas de “compliance”; adequação a normas internacionais de contabilidade, inclusive para os órgãos públicos; atendimento da legislação fiscal e a necessidade de aprimoramento constante de técnicas de custo e gestão financeira enaltecem e colocam o profissional de contabilidade em evidência.

Prof. Adelino Pedro Wisniewski

Professor das Faculdades Integradas Machado de Assis/FEMA