A DUALIDADE VIVIDA PELA DOCÊNCIA

A docência vive uma dicotomia histórica. Há muito tempo, os saberes da academia e da escola sofrem distinções. De um lado, existe a preocupação do saber produzido pela academia, pela pesquisa, de outro, porém, há a preocupação do saber produzido pela prática. Os saberes acadêmicos, muitas vezes, simplificam a prática da sala de aula e, isso acontece, conforme Elliot, pois os conhecimentos, “[…] são elaborados por um grupo de estranhos que afirmam ser especialistas na produção de conhecimentos válidos sobre suas práticas educativas.” (ELLIOT, 1993, p. 63). Assim, pensar a teoria e a prática sugere fazer um movimento em que se possa dialogar e aproximar esses dois contextos importantes ao fazer pedagógico.

O abismo construído entre os saberes científicos da academia e os saberes conhecidos pelo professor em sua prática é resultado, por vezes, de um pensamento altamente teórico, marcado pelo racionalismo tecnicista e pelo pragmatismo absoluto, em que não se tem espaço para pensar a teoria relacionada à prática. Na década de 70, vivia-se sob a ânsia das técnicas de ensino, afastadas de questões político-pedagógicas. Nos anos 80, o discurso pedagógico estava relacionado ao âmbito sociopolítico, buscava-se analisar as práticas e os saberes pedagógicos pelas suas necessidades, afastando-se de teorias consideradas modelos. A partir da década de 90, apenas, percebeu-se a prática docente como complexa, porém, ainda pouco se discute a importância da relação que há entre a teoria e a prática, entre o pensar e o agir pedagógico.

Entre a teorização e a pragmática, há a necessidade de se pensar a autonomia/emancipação do professor. Assim, é importante ultrapassar os limites, muitas vezes, impostos pelo próprio professor. O rompimento desses limites acontecerá na medida em que o docente consiga construir uma prática que parta da reflexão crítica sobre o fazer docente. O grande desafio, portanto, é de que o docente tenha uma atitude de investigador e que desenvolva a crítica sobre a prática pedagógica e sobre os conhecimentos historicamente produzidos. Ao assumir essa postura, caminhará para a epistemologia da prática docente reflexiva crítica, a qual só terá sentido se for produzido no próprio contexto da prática pedagógica, sem dicotomizar teoria e prática.

No dia 15 de outubro, dia do professor, nada mais adequado do que pensar sobre o papel e o lugar desse profissional que, ao contrário do que muitos dizem, tem muitos desafios e responsabilidades para com a educação. Parabéns a todos educadores que conseguem aliar teoria a sua prática, que fazem do ensinar e aprender momentos de transformação. Parabéns especialmente aos colegas da FEMA, que todos os dias vivenciam a arte do ensinar e do aprender e, que motivados pela pesquisa, fazem a melhor prática pedagógica.

Prof.ª Mariel da Silva Haubert
Coordenadora do Núcleo de Pesquisa, Pós-Graduação e Extensão – NPPGE
Professora das Faculdades Integradas Machado de Assis e da Escola Técnica Machado de Assis/FEMA.